sábado, 15 de agosto de 2009

Pano pra manga I: O que é poesia?





"A poesia é tudo aquilo que passa em estado de pureza e sem alteração do coração para as palavras." (Jacob Grimm)





Ah, a poesia!... Uma hora só dela.
Sábado, uma das primeiras atividades de estudo da manhã.
(Curioso pensar em estudo quando se fala em poesia...)
Do que falamos? Com quem falamos?
Falamos com pessoas para quem poesia é uma novidade, uma reminiscência, algo a ser descoberto, algo a ser lembrado.

Nesse grupo de estudo e sentimento, reúnem-se pessoas comuns.
Umas que vêm, outras que vão e voltam, e ainda aquelas que estão sempre ali...
Duas meninas-adolescentes-melhores-amigas.
Uma mulher-poetisa.
Dois rapazes-cativos-da-poesia.
(Curioso pensar em alguém “cativo-da-poesia”! Nada como ser cativo de algo que liberta!)


O que é poesia para essas pessoas?


A menina-adolescente-loira, melhor-amiga da menina-adolescente-morena diz:
“poesia para mim é uma arte. Porque é nela que aprendi a entender sentimentos, como me expressar e a falar de uma forma que todos entendam. É uma boa maneira de se aprender algo mais na vida. Poesia é também trabalhar a mente”.

A sua melhor-amiga, aquela menina-morena de quem eu falei há pouco, considera:
“poesia para mim é crescimento, porque através dela eu conheço muitos poetas, histórias e meu sentimento desenvolve através da meditação da poesia. Não só o meu sentimento, mas meu amadurecimento em relação aos objetivos e modo de ver as coisas”.


(Curioso como para nossas meninas-adolescentes-melhores-amigas a poesia se reveste de plano de vida, um olhar para o futuro, projeções de si num tempo vindouro... projeções que passam por compreensão dos sentimentos, por meditação...)


E o que diz a mulher poetisa?
Que poesia é a verdadeira expressão dos sentimentos, é também a forma como o autor vê o mundo/vida e da sua experiência no mesmo”.
Ser quem eu sou perpassa aquilo que faço e dá sentido (ou não) à vida. Então, como seria possível o poeta se esconder em sua poesia? Ele é a própria poesia...

E o que dizem os rapazes-cativos-da-poesia?
Para um deles “... a poesia permeia a vida; é como uma linda embalagem que envolve este presente tão valioso e frágil, que é a vida. Sem poesia viver seria insuportável, e mesmo com esse ‘monstro’ da vida moderna (?), lá está ela, ‘a poesia’, presente em nosso cotidiano em coisas simples, até porque ela traveste-se de simplicidade naturalmente. Para resumir, vejo poesia como religião, nosso elo com Deus. É possível viver sem Deus?”


O outro "cativo-da-poesia" destaca:
“Poesia para mim é vida, é sonho, é arte. É você brincar com as palavras. É você expressar o seu sentimento, o seu amor, carinho. É você tentar ir além das palavras. É um meio de se expressar na sociedade. Poesia é cultura. Poesia é jornalismo. É um meio de comunicação. Poesia deveria ser como o iodo está presente no sal. É algo vital. É uma coisa necessária para a vida. Sem a poesia, as pessoas podem não conseguir os seus objetivos. A poesia é inerente, como o ar que respiramos. Ela é necessária para saber viver, saber falar. A poesia tem feito eu pensar de maneira diferente.”


Sabe?
Fico pensando se o que falta em pessoas com a pretensão de estarem desconectadas da arte não seria essa disposição em “desembrulhar” a vida com a cautela de quem pretende guardar o papel colorido e a fita delicada do presente para outros momentos...
Volto, portanto, ao primeiro ponto curioso desse texto...

Estudar poesia.
Estudar remete ao sabor do saber, àquela sensação intransferível de prazer quando descobrimos alguma coisa até então impensada...
A solução pode estar no entendimento do que representam as palavras meticulosamente colocadas em uma poesia e na permissão à vazão dos sentimentos que vem delas...
A poesia é sentimento, é trabalhar a mente, é ver o mundo com os olhos do outro e de si, é o papel de seda e o laço de fita que envolvem a vida.
E os outros pontos curiosos desse texto?
Tomara que tenham ficado claros ou, pelo menos, sentidos...

E eu ainda nem apresentei as outras respostas que tive desses alunos "personagens" sobre a poesia...
Isso é pano para outras mangas...

Alline Nunes Andrade.


(Texto elaborado com base em respostas obtidas dos alunos da oficina de poesia, no Projeto “Arte sem Limites”, sobre questões referentes a conceitos, sentimentos e metodologia de ensino da poesia.)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

"A flauta e o especial talento de José"

"Durante a minha graduação na UnB, tive a influência direta de Odette Ernest Dias. Ela costumava dizer aos alunos que "música não importa se é erudita ou música popular, é música". Então sempre trabalhei essas duas vertentes da música. Pensei que seria interessante conciliar uma coisa com a outra, então fiz uma pesquisa em duas obras: Bachianas Brasileiras Nº 6, de Villa-Lobos, e a Sonatina em Ré Maior para Flauta e Piano, de Radamés Gnatalli. São obras de caráter erudito e acadêmico, em que os dois compositores trabalharam elementos musicais do choro. Porque, antes de qualquer coisa, eles eram amigos. Eu fico imaginando o Rio de Janeiro na década de 50, todo mundo conversando: Pixinguinha, Radamés, Villa-Lobos. Eles saiam, tocavam juntos, participavam de rodas de choro. Radamés e Villa-Lobos usaram esses elementos do choro, da música dita popular, na obra deles. Minha pesquisa foi justamente para entender como é que a música do Pixinguinha contribuiu dessa forma para a música erudita e porque para o flautista é importante conhecer essas duas vertentes da música."

José Benedito participa do ASL desde a implantação do projeto. Atualmente, o flautista é responsável pela oficina "Apreciação Musical", que acontece todos os sábados, de 9h30 às 10h20, no Centro Musical do Colégio Leonardo da Vinci, onde as atividades do ASL acontecem.



Leia na íntegra a entrevista concedida pelo flautista José Benedito à jornalista Ana Claudia Mielki, na edição nº 18, do jornal brasiliense "Ìrohìn" acessando ao link: http://www.irohin.org.br/imp/template.php?edition=18&id=47

Participação do ASL no Cantares 2008






O Arte sem Limites (ASL) participou do Cantares 2008, realizado no Teatro Universitário da UFES, emocionando a todos os presentes. Um dos pontos altos da apresentação foi a interpretação da música "Oh! Happy Day!" pelo solista mirim Bruno Fonseca. Essa música tem feito parte do repertório do ASL desde o início de sua trajetória e tornou-se o hino do grupo. Não há como não se emocionar!

A participação do ASL no Cantares 2008 pode ser conferida no link: http://www.youtube.com/watch?v=QuoDUcj6Q1s

domingo, 24 de maio de 2009

O que acontece no ASL?

Este projeto acontece semanalmente, nas instalações do Centro Musical do Leonardo Da Vinci, nas manhãs de sábado, de 8h às 12h. As atividades realizadas são:


8h às 9h40: oficina de teclado, violão, sopros (flauta doce) e animação quadro a quadro (stop motion);
9h40 às 10h30: teoria musical;
10h30 às 11h: intervalo para o lanche e interação social
11h às 12h: canto coral


As oficinas de teclado e violão são realizadas, respectivamente, pelos professores Suellen Peroni e Juliano Zamprogno. A oficina de sopros, com implantação do estudo da flauta doce, será iniciada em 2011 com a atuação voluntária do músico Ubirajara Neto.

Recital de Teclado - Gabrielle e profª Suelen Peroni


Nessas oficinas, os professores desenvolvem atividades específicas para o aprendizado dos instrumentos, uma vez que, entre os alunos, contamos com pessoas com deficiência visual, o que implica em novas formas de promoção da aprendizagem. Além disso, os conceitos trabalhados na oficina de Teoria Musical deverão ser consideradas no conteúdo programático das aulas de instrumentos, de modo a promover integração entre os conhecimentos trabalhados.



Recital de Violão - Jean (E), Sara, Jonas e o prof. Juliano Zamprogno


A oficina de poesia, realizada por Alline Andrade, estimula a interpretação de textos elaborados por poetas brasileiros e sua aplicação no cotidiano, bem como o estudo sobre a biografia desses autores, desenvolvimento da sensibilidade e habilidade de expressão.



Carol e Jerdes recitam "Mãos Dadas", de Carlos Drummond de Andrade

A oficina de animação quadro a quadro (stop motion) é realizada desde agosto de 2010 com a atuação voluntária de Ana Carolina Poubel e Andreia Cristina Carvalho. Stop motion é um termo da língua inglesa que significa movimento parado. É uma técnica de animação quadro a quadro que consiste na combinação sequencial de um conjunto de fotos que, quando alinhadas, geram a ilusão de movimento. A oficina conta com a participação de alunos com e sem deficiência e estimula o desenvolvimento da sensibilidade, noção de forma, espaço e cores, entre outras habilidades artísticas.


As atividades que envolvem todo o grupo de alunos são as de teoria musical e canto coral. Na teoria musical, os professores de música se revesam a fim de trabalhar com os alunos conceitos musicais necessário ao reconhecimento, leitura e grafia musical. Essa oficina teve, como precursor, o  músico José Benedito que, durante 2008 e 2009, realizou atividades de apreciação musical, nas quais os alunos eram estimulados a acessar conhecimentos culturais que não eram favorecidos pela mídia, bem como não faziam parte do cotidiano dos alunos. Atividades como aprender a ouvir música de orquestra, bem como de estilos musicais diversos, compreender e identificar instrumentos musicais incomuns aos alunos, conhecer a biografia de grandes compositores da música no Brasil e no mundo e refletir sobre como os fatos sociais interferem na produção intelectual e artística foram uma preparação ao trabalho com Teoria Musical. A oficina de Teoria Musical foi implantada em 2010 com o intuito de trabalhar noções de percepção rítmica e melódica e símbolos de notação musical. Para esta oficina, tem sido necessária a produção de material adaptado ao ensino da música, bem como o estudo de Musicografia Braille.



No canto coral, regido pela maestrina Hellem Pimentel e, a partir de 2011, pelo pianista Marcos Andrade, os alunos integram os conhecimentos desenvolvidos nas oficinas de teclado, violão, sopros, poesia e stop motion, compartilhando, dessa forma, sua evolução em cada área de atuação, aprendem a utilizar a respiração em favor do canto, desenvolvem ritmo, identificam melodias e aprendem a afinar suas próprias vozes, separadas por diferentes naipes (soprano, contralto, tenor, baixo). Além desses elementos, as atividades em conjunto estimulam a tomada de consciência do próprio corpo quanto ao uso do palco, estabelecimento de contato com o público, expressão corporal e projeção de voz.



É muito bom ser ASL. Venha passar uma manhã de sábado conosco!



Alline Andrade
Coordenação Geral - ASL

Quem é o ARTE?



O “Arte Sem Limites” (ARTE) é um empreendimento social que utiliza a arte como instrumento de inclusão sociocultural de jovens e adultos com e sem deficiência, idealizado por músicos e profissionais da Sociedade Artística e Cultural Phylarmonia e por membros da Oscip G7-DV. Na ocasião, havia o interesse em promover inclusão sócio-cultural por meio de conhecimento artístico e musical, tendo sido implantado em 2005, em parceria com o Centro Educacional Leonardo Da Vinci.

Na implantação, o ARTE era gerenciado pela Phylarmonia, situação mantida até os dias atuais. A Phylarmonia é responsável pelo planejamento pedagógico, artístico e cultural, incluindo a contratação de profissionais, seleção de estagiários e/ou voluntários, e convite de profissionais da área artística para realização de eventos educacionais; pelo agendamento de apresentações, realização das oficinas de violão, teclado e poesia, atualização cadastral dos alunos, orientação às famílias e contato com fornecedores e parceiros. À Phylarmonia compete, ainda, a responsabilidade por recolher e pagar, quando houver, todos os tributos, encargos, impostos, contribuições sociais e outras obrigações advindas das relações profissionais em prol do projeto.

A Oscip G7-DV atuou na implantação encaminhando pessoas interessadas em participar do ARTE, bem como orientando quanto à promoção de acessibilidade às pessoas com deficiência visual.

O Centro Educacional Leonardo Da Vinci abriu suas portas, cedendo o espaço físico, os instrumentos musicais e o lanche, para que o ARTE pudesse iniciar suas atividades. O Leonardo Da Vinci mantém o referido apoio, bem como patrocina as atividades do ARTE desde julho de 2008, consolidando ainda mais essa parceria. A partir de 2010, ampliamos a rede de parceiros... São muito bem vindas as parcerias estabelecidas com o Instituto Sincades, a Unimed Vitória e o Bandes! Desejamos que surjam muito mais belos frutos!


Atualmente, o ARTE conta com a participação de cerca de 30 alunos, dentre as quais se encontram pessoas com deficiências diversas, familiares e amigos, que recebem através das atividades deste projeto estímulos para o seu desenvolvimento cultural e social, além do incentivo às relações interpessoais entre todos os envolvidos. Contamos ainda com o empenho de 5 profissionais contratados e 5 voluntários atuando nas atividades semanais.



Venha conhecer o ARTE! Você vai se encantar!


Alline Andrade
Coordenação Geral - ASL